A CRÍTICA TEXTUAL  DO ANTIGO TESTAMENTO

Fábio Sabino da Silva


Introdução


A crítica textual é a disciplina que exige do exegeta não só o saber as línguas em que a Bíblia foi redigida, mas todas as informações sobre os manuscritos, versões, obras antigas (menção de autores eclesiásticos latinos e gregos) como também as tendências dos escribas. Os eruditos definem a crítica textual como uma iniciativa que tem como objetivo o realce da integridade de um determinado texto e um dos seus métodos é a comparação das divergências (variantes) nas cópias e manuscritos existentes de uma obra e tentar descobrir e/ou restaurar qual é a sua forma textual mais antiga; isto é, o texto mais próximo ao original. [1]

Os discentes de hoje não estão realizando a verdadeira exegese, por não estarem bem preparados para este trabalho e poucos são os que a realizam, pois, infelizmente, não se tem investimento para tal empreendimento o qual requer tempo e dedicação.

A "crítica" conduz o estudante a ser um crítico (no sentido de análise e capacidade de julgar o que é exato) e utilizar os métodos corretos para que assim se tenham os resultados esperados. A crítica textual mostrará a legitimidade científica e não espiritualista como, infelizmente, muitos a vêm praticando com grandes equívocos e pseudas-verdades.

A crítica textual é mais que uma descrição de fenômenos, insinua um processo de peneirar, testar, provar, para que se chegue ao resultado do estabelecimento de uma verdade, às vezes será necessáriomodificar ou inverter opiniões tradicionais. O trabalho da crítica textual pode ocorrer em erros e deturpações quando estiver sendo praticada por influência religiosa.

A disciplina da crítica textual foi desenvolvida durante os últimos dois séculos e se tornou um dos pilares da pesquisa da Bíblia e sua interpretação.

O texto bíblico foi copiado durante séculos e devidamente a isso esteve sujeito a erros como qualquer outro texto transmitido. Sua fluidez sugere que a preocupação de conservar o texto numa única forma pura passou a ser valorizada somente por volta do século primeiro. Até que ponto o texto recebido foi preservado em sua forma original? É uma pergunta que pode ser examinada através de meios críticos e filológicos.[2]

Nas últimas décadas grandes testemunhas floresceram na pesquisa do Antigo Testamento, devido a grande influência da arqueologia. As terras bíblicas como Iraque, Síria, Líbano, Palestina e Egito, se tornaram chão fértil para o redescobrimento da antiguidade que estava encoberto por muitos anos.

Como resultado, os estudiosos hoje se acham mais que nunca tendo que tomar decisões críticas sobre traduções, interpretações bíblicas e decisões, principalmente sobre teologia e ética.

A primeira tarefa para aqueles que querem conhecer e praticar a exegese do Antigo Testamento é conhecer os passos e fundamentos da crítica textual, o propósito do estudo não é fazer o discente um crítico no sentido de rejeitar o que não se compreendeu; mas, alertá-lo sobre como o texto bíblico foi escrito, preservado e como foram resolvidas as dificuldades textuais.[3]

A tarefa daqueles que estudam a crítica textual é descobrir, identificar e restabelecer o texto original da Bíblia. A esse processo chama-se de "baixa crítica". Já a "alta crítica" é o processo que leva a determinar o autor, data, propósito e integridade dos livros da Bíblia. A crítica textual terá como função analisar os manuscritos e versões da Bíblia e não apenas a interpretação de algumas palavras com métodos hermenêuticos.


O meio científico


Há oposição forte para a crítica textual, pois para muitos o sentimento de tal prática contradiz a visão religiosa aceita sobre a santidade e inerrância dos textos bíblicos sem possibilidade de reconciliação.[4]

Portanto, qualquer método que lança dúvida na confiança absoluta do texto transmitido desperta rejeição por parte de muitos. Do ponto de vista prático e educacional é salubre para que se reconheça o valor do método científico e sua habilidade para prover respostas ao campo empírico.


A CRÍTICA EM GERAL



1. Baixa crítica


A "baixa crítica" trata estritamente dos textos da Bíblia, empreendendo averiguar como os textos de cada livro eram quando veio das mãos de seus autógrafos.


2. Alta crítica


A "alta crítica" se interessa com os problemas de datação, autoria, fontes, valor histórico e relação com o período de origem.


A CRÍTICA TEXTUAL



1. A origem da ciência


Os judeus aplicaram uma certa crítica às Escrituras Sagradas. São vistos vários exemplos nas notas marginais da Bíblia Hebraica (BHS). Os Pais da Igreja logo cedo começaram a compararem manuscritos dos livros do Antigo e Novo Testamento, notando as suas diferenças e julgando os livros.[5]

Os reformadores, não aceitaram os julgamentos da antiguidade. Os materiais à disposição dos estudantes naquele tempo estavam escassos. Com o passar do tempo houve as grandes descobertas e assim veio o progresso de comparações de manuscritos e versões, os quais tornaram patentes os textos do Antigo e Novo Testamento.

Assim surgiu a crítica textual que, em muitas direções, atingiu dimensões vastas e rendeu um imenso corpo de conhecimento seguro em seu departamento.


NOTAS


[1] Cf. J. Trebolle Barrera. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã - Introdução à História da Bíblia. 1996, p. 306; B. K. Waltke. "Aims of Ot Textual Criticism". WTJ 51, 1989, p. 94-96; P.K. McCarter Jr. Textual Criticism - Recovering the Text of the Hebrew Bible. 1986, p. 12.

[2] Cf. J. Trebolle Barrera. A Bíblia Judaica e a Bíblia Cristã - Introdução à História da Bíblia. 1996, p. 322 e 450; J. Mackenzie. Dicionário Bíblico. 2ª ed. 1984, p. 929.

[3] Cf. E. Tov. Textual Criticism of the Hebrew Bible. 1992, p. 49-50.

[4] Cf. E. Tov. Textual Criticism of the Hebrew Bible. 1992, p. 37.

[5] Cf. E. Würthwein. The Text of the Old Testament - An Introduction to the Biblia Hebraica. 2ª ed. 1995, p. 28-29; E. R. Brotzman. Old Testament Textual Criticism - A Practical Introduction. 1994, p. 52.

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